Lugares & Paladares

Veneza: Porque um café vale 7 euros

Por Alexandre Massoti – 13/Apr/2016



Se os doze milhões de turistas que visitam Veneza por ano se organizassem, trinta mil pessoas por dia entrariam na cidade. Dá pra esperar um sorriso no rosto do funcionário que recolhe o bilhete do vaporetto que vai me levar até a praça de São Marco? No máximo um grunhido. Simpático, se me permitem o paradoxo. Não estou fazendo apologia aos maus tratos, apenas peço a compreensão das pessoas antes de criticarem alguém que faz seu trabalho corretamente. Só se contratassem alguém com a infinita pachorra de uma Dona Benta, pra ganhar um sorriso.

Era minha primeira vez em Veneza, final da tarde, céu espetacular, tudo conspirando a favor. Tio Adolfo e a Tia Cacilda estavam comigo. Eram debutantes também. E ao chegarmos na famosa praça, ficaram tão atordoados como eu. O restante do grupo só chegaria no dia seguinte, então aproveitamos o resto do nosso tempo pra fazer o primeiro reconhecimento. E fomos direto ao que interessava. COMER!

Bem perto de onde tocava uma banda, aliás, uma orquestra a céu aberto, entre lojinhas de quinquilharias e outras muito elegantes, escolhemos o restaurante com uma fachada bem bacanona. Minha carteira deu uma engasgada dentro do bolso, mas como dizem por aí, “ta no inferno abraça o canhoto”. Ligo pra D. Rosa pra avisar que estamos bem, e quando falo o nome do restaurante que estamos ela simplesmente suspira: “eu sempre tentei ir a esse lugar, mas nunca consegui reserva, que sorte vocês deram! Já vi vários pratos deles premiados, o chef é muito conhecido. Aproveitem!.”

Nunca ouvi tantas palavras mágicas na mesma frase! A conta no fim, não veio aquela bordoada que eu esperava e a comida... INACREDITÁVEL! Um dos melhores jantares da minha vida, desde a cestinha de pães quentinhos feitos na hora, passando por um peixe assado com batatas, até o café com um prato de petit fours deliciosos. Acabei minha lauta refeição, joguei um punhado de milho no chão e me ajoelhei.

No dia seguinte, já refeitos da experiência memorável em Veneza, voltamos à praça pra encontrar o resto da patota. Alguns foram às compras, outros passear e desbravar a que eu considero uma das cidades mais IMPRESSIONANTES do mundo!

Explicando agora o titulo: Fim de tarde, sentei com o Tio Adolfo num café enorme com mesinhas espalhadas pela praça, bem perto onde os pombos se reunem pra discutir as próximas manobras sobre os turistas. Uma vista linda do porto, paz entre a manada de turistas que chegam a todo instante, pedimos um café curto (pleonasmo na Itália) e uma taça de champanhe. Um passageiro do grupo chega e olha o menu da cafeteria: “creeeeedo, não sei como vocês tem coragem de gastar isso num café! Vem amor (ele falou pra esposa), vamos procurar um lugarzinho mais em conta.

Tio Adolfo com toda sua elegância olha pra mim e detona: “estou na praça de São Marco, em Veneza, o Campanário que demorou 3 séculos pra ficar pronto à minha esquerda e o Golfo de Veneza na minha frente. Gôndolas do tamanho de ônibus leito. Um lugar carregado de história e cultura. Um brinde ao café de 7 euros!”. Lembrei de outro ditado, mais antigo que eu: “mais vale um gosto que um vintém no bolso”.

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Dica da Semana:
Ristorante Quadri - Veneza
site: www.alajmo.it (é o nome do chef, tem vários outros restaurantes)
porque: simplesmente fica na praça mais linda do mundo
prato: QUALQUER peixe deles é de tirar o chapéu.